Em ato com 40 mil pessoas, Lula diz que disputa pelo pré-sal motivou golpe

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua Caravana por Minas Gerais com um ato político na Praça da Estação, centro de Belo Horizonte. Em seu discurso nesta segunda-feira (30), afirmou que uma das motivações do golpe de 2016 foi a descoberta do pré-sal e o interesse estrangeiro nos campos de petróleo brasileiros. Segundo as entidades que organizaram o evento, 40 mil pessoas acompanharam a manifestação. 

Eles levaram o país a uma situação de deterioração. Estão destruindo nosso país. Quando descobrimos o pré-sal, dissemos, ‘é o futuro do país’. Eles não aceitaram a regulação que nós fizemos” disse. “O golpe tá ligado isso. Precisava tirar o PT para destruir a Petrobras. Se houve corrupção, não se destrói a empresa: quem paga é o trabalhador”.

Lula lembrou que o modelo criado nos governos petistas para a exploração das novas áreas garantiria investimentos na área da educação, um dos focos de sua fala na noite: “Quando eles fizeram a PEC proibindo gasto em educação e saúde, quando eles privatizaram parte da Petrobras, eles abortaram parte do futuro desse país”. 

O petista aproveitou para criticar as classes dominantes ao abordar a temática. “Por que o país foi a último da América do Sul a ter universidade? A única resposta que eu tenho é que é a elite mais perversa do continente. Eu quero que alguém me explique, por que foi um presidente sem diploma o que mais fez universidade nesse país?”.

Acho que pelo fato de não ter ido à universidade, eu tive essa obsessão de levar o pobre a ela”, respondeu. O pré-candidato do PT à Presidência reforçou as críticas à cobertura midiática, prometendo democratizar os meios de comunicação em um possível novo mandato: “Não dá pra aceitar que nove famílias controlem a comunicação desse país”. 

Lula foi antecedido por políticos e militantes. Beatriz Cerqueira, dirigente da CUT de Minas Gerais, criticou a campanha pública contra o ex-presidente: “Por você ter colocado o Estado a serviço do povo, e não de um pequeno grupo de empresários, que hoje te criminalizam, Lula”.  

O golpe foi contra cada um de nós. Nós continuaremos de cabeça erguida fazendo a luta necessária pelo tempo que for necessário”, complementou Cerqueira. 

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) fez menção à liderança de Lula nas pesquisas eleitorais. “Essa Caravana teve uma forte identidade com o povo de Minas Gerais. Eles estão assustados. O plano deles deu errado. Eles queriam desmoralizar o PT. Eu pergunto: quem está desmoralizado nesse momento? Sabe o que acontece? Lula sobe, sobe, sobe!”, comemorou. 

Um país que tem uma legislação trabalhista que fere o trabalhador no país, que abre a porta para a volta da escravidão. Um presidente ilegítimo que faz isso não merece nosso respeito. É um golpista e um entreguista. Mas essa situação tem, da nossa parte, uma ameaça. A situação de democracia abalada, ela tem hoje nas nossas caravanas uma das formas de discussão e de resistência. O encontro do presidente Lula com os mineiros está mostrando uma realidade muito importante. De um lado, a clara consciência nas pessoas. De outro lado, vemos Lula crescendo no apoio da população”, afirmou Dilma Rousseff. 

A presidenta golpeada terminou com uma mensagem especial às mulheres: “Nós temos de resistir e lutar. E nós mulheres teimamos. Nessa teimosia, nós vamos reconstruir a democracia”.

* A cobertura da caravana “Lula pelo Brasil” é realizada por meio da parceria entre Brasil de Fato, Mídia Ninja e Jornalistas Livres

Edição: Rafael Tatemoto

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